Ngola Mbandi e a possibilidade de um quadro depressivo em Angola antiga

Palavras-chave: Ngola Mbandi, Angola Antiga, Depressão

Resumo

Ngola Mbandi foi um dos soberanos do Reino do Ndongo durante o período inicial da dominação portuguesa em Angola. O monarca teve um papel importante para a manutenção da soberania do seu reino, embora não tenha protagonizado um governo longevo. No contexto sócio-histórico em que foi regente, Mbandi acumulou algumas derrotas, fato que permitiu, em certa medida, o avanço das tropas invasoras. O presente trabalho busca, através de uma perspectiva comparada entre literatura e história, analisar a possibilidade de Ngola Mbandi ter sido acometido por uma doença que ainda não era conhecida nos século XVII; a depressão. Tendo em vista o governo de perdas, este pode ter sido um gatilho para a desestabilização psicológica de Mbandi. A história e a literatura apresentam muitas versões sobre a causa da morte do soberano, como envenenamento, suicídio e tristeza. Sabe-se que a versão mais difundida é a morte por envenenamento, porém, neste trabalho, manteremos o foco na possibilidade de morte em decorrência de um quadro depressivo, uma vez que a literatura e a história também dão margem para esta versão. A possibilidade de Mbandi ter cometido suicídio também pode ser compreendida como um traço depressivo, assim como o possível isolamento dele na Ilha Kindonga após repetidas derrotas nas batalhas contra os portugueses. Esta investigação justifica-se por buscar compreender o governo e a morte de Ngola Mbandi e, com isso, objetiva contribuir para a disseminação do conhecimento sobre Angola Antiga através das possibilidades proporcionadas pela literatura e pela história.    

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Agualusa, J. E. (2015). A Rainha Ginga: e de como os africanos inventaram o mundo. Rio de Janeiro: Editora Foz.

Barlow, D. H.; Durand, M. V. (2016). Psicopatologia: Uma abordagem integrada. São Paulo: Cengage Learning Brasil.

Boland, R. J. e Keller, M. B. (2009). Course and outcome of depression. In: I. H. Gotlib e C. L. Hammen (Eds.). Handbook of depression, (2), pp. 23-43. New York, NY: Guilford.

Cadornega, A. de O. de (1972). História Geral das guerras Angolanas. Agência Geral das Colônias. I, II e III Tomos.

Camerano, A. C. S. (2018). A INVISIBILIDADE DAS NARRATIVAS AFRICANAS EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS: o caso da Rainha Nzinga. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Relações Internacionais, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC).

Campos, R. C. (2000). Síntese dos aspectos centrais da perspectiva teórica de Sidney Blatt sobre depressão. Aná. Psicológica. 18 (3), 311-318

Costa e Silva, A. V. da (2011). A manilha e o libambo: a África e a escravidão, de 1500 a 1700. 2ª ed - Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Dalgalarrondo, P. (2008). Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed.

Del Pino, C. C. (2003). Teoria de los sentimientos. Barcelona: Fabula TusQuests.

Fonseca, M. B. (2014) Nzinga Mbandi conquista Matamba: legitimidades e poder feminino na África Central. Século XVII. Anais eletrônicos do XXII Encontro Estadual de Histórias da ANPUH – SP: Santos.

Franco, R. G. (2013). Conquista e resistência na “História Geral das Guerras Angolanas”, de António de Oliveira de Cadornega. XIV Jornadas Interescuelas/Departamentos de Historia. Departamento de Historia de la Facultad de Filosofía y Letras. Universidad Nacional de Cuyo: Mendoza.

Glasgow, R. (1982) Nzinga. Resistência africana à investida do colonialismo português em Angola, 1582 - 1663. São Paulo: Perspectiva.

Hofer, M. A. (1996). Dreaming: an introduction to the science of sleep. New York: Oxford University.

Pinheiro, A. & Tamayo, A. (1984). Conceituação e definição de solidão. Revista de Psicologia. 2(1), 29-37.

Pinto, A. O. (2014). Representações culturais da Rainha Njinga Mbandi (c.1582-1663) no discurso colonial e no discurso nacionalista angolano. En. Tavares, C. C. Da S.; Cruz, M. L. G. da. Estudos Imagética. Rio de Janeiro: UERJ.

Porto, J. A. Del. (1999). Conceito e diagnóstico. Revista Brasileira Psiquiátrica. 21(1), 6 – 11.

Remak, H. H. H. (1994). Literatura comparada: definição e função. In: COUTINHO, Eduardo F., CARVALHAL, Tania Franco. Literatura Comparada. Textos fundadores. Rio de Janeiro: Rocco.

Silva, S. G. F. da (2020). Rainha Ginga Mbandi: elo identitário entre Angola e Brasil. RAC: Revista Angolana de Ciências, 2(1), 130 -147.

Wilson, A. (1988). Levels of depression and clinical assessment. In H. Lerner, & P. Lerner (Ed.), Primitive mental states and the Rorschach (pp. 441-462). Madison: International Universities Press.

Publicado
2020-11-02
Como Citar
Ferreira da Silva, S. G., & Ferreira, A. C. P. (2020). Ngola Mbandi e a possibilidade de um quadro depressivo em Angola antiga. RAC: Revista Angolana De Ciências, 2(3), 420 - 432. Obtido de http://publicacoes.scientia.co.ao/ojs2/index.php/rac/article/view/85
Secção
Artigos