A Educação Histórica no Ensino Primário angolano: uma análise centrada no programa da 6.ª classe

Palavras-chave: Educação Histórica; Ensino Primário Angolano; Programa de História da 6.ª classe; Agendas internacionais e nacionais.

Resumo

Este estudo centra-se na Educação Histórica no Ensino Primário em Angola e visa compreender os pressupostos político-normativos internacionais (agenda 2030, 2063) e nacionais (PND 2018-2022/Educar-Angola 2030), e teóricos sobre o ensino da História e seu currículo, subjacentes ao Programa da disciplina na 6.ª classe. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa e interpretativa, que recorreu à análise de conteúdo do Programa actual com base numa grelha elaborada e validada por duas especialistas em Didáctica e Desenvolvimento Curricular da História. Os resultados indicam que, à semelhança do que se encontrou para o Programa da 5.ª classe, embora não corporize referências político-normativas explícitas relativas à necessidade de se trabalhar dimensões centrais dos princípios orientadores internacionais e nacionais, contempla outras, também implicitamente, que estão alinhadas com esses princípios, por exemplo, de alinhamento ao 4.º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável. Todavia, em relação ao enquadramento teórico, e nomeadamente quanto à “natureza da cognição histórica situada”, denota-se uma reduzida adequação. Do mesmo modo, verifica-se alguma inconsistência curricular, nomeadamente em relação aos elementos nucleares do Programa. Assim, à luz destes resultados e das perspetivas aqui mobilizadas e discutidas, sugere-se que os materiais curriculares em desenvolvimento no País incorporem estes aspectos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Afonso, M. (2019). Saberes e experiências curriculares em Angola: bases teóricas, resultados e perspetivas de mudança. In INIDE-MED (Org.). Jango de saberes e experiências curriculares, 2019 (Angola, Brasil, Moçambique e Portugal), (pp. 20-49) Luanda: Mensagem Editora.

Akkari, A. (2017). A agenda internacional para educação 2030: Consenso “frágil” ou instrumento de mobilização dos atores da educação no século XXI? Revista Diálogo Educacional, 17 (53), 937-958. DOI: http:// dx.doi.org/10.7213/1981-416X.17.052.AO11.

Almeida, S., Roldão, M. C. & Barcelos, N. (2020). Currículo, Inovação e Flexibilização em Educação. In J. Sousa, J. Pacheco e Viana, J. Atas do II Seminário sobre Currículo, Inovação e Flexibilização (pp.41- 56), Centro de Investigação em Educação, Universidade do Minho.

Angola, (2016). Lei n.º 17/16, de 5 de Outubro de 2016. Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino. Diário da República n.º 170 – I Série. Assembleia Nacional de Angola. Luanda.

Angola (2016). Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação (PNDE):2017-2030. Educar Angola 2030. Luanda: Governo de Angola.

Angola (2018). Plano de Desenvolvimento Nacional (2018-2022). Luanda: Ministério da Economia e do Planeamento.

Barca, I. (2001). Educação Histórica: uma nova área de investigação. Revista História. III, (2), 13-21. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/28166273.

Barca, I. (2011). O papel da Educação Histórica no desenvolvimento social. In I. Barca (Org), Educação Histórica: Teoria e Pesquisa (pp. 21-48). Ijuí: Editora Unijuí Da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

Bardin, L. (2018). Análise de Conteúdos. Lisboa: Edições 70, 4ª edição.

Baxe, H., Fernando, M. & Paxe, I. (2016). O Ensino Primário em Angola: Formação, actuação e identidade dos professores. Luanda: Creative commons.

Beech, J. (2009). A internacionalização das políticas educativas na América Latina. Revista Currículo sem Fronteiras, 9(2), 32-50. www.curriculosemfronteiras.org/vol9iss2articles/beech.pdf.

Bogdan, R. & Biklen, S. (1994). Investigação qualitativa em educação. Porto: Porto Editora.

Cainelli, M. R., Ramos, M. T. E., & Cunha, M. de F. da. (2016). Formação de professores de História: o princípio investigativo como fundamento da prática de ensino. Revista Perspectiva, 34, (1), 189-204. DOI: http:7dx.doi.org/10.5007/2175-795X.2016v34n1p189.

Cercadillo, L. (2009). Prefácio. In: Schmidt, M. A., Barca, I. (Orgs) Aprender História: perspetivas da educação histórica. Ijuí: Ed. Unijuí, p. 7-9.

Chapman, A. (2016). Historical Interpretations. In I. Davies (Ed.), Debates in History Teaching (pp. 96-108). London and New York: Routledge.

Cooper, H. (2012). Ensino de história na educação infantil e anos iniciais – um guia para professores. Curitiba: Base Editorial.

Coutinho, C. P. (2018). Metodologia de investigação em Ciências Sociais e Humanas: Teoria e Prática. Coimbra: Almedina.

CUA (2015). Agenda 2063: A África que Queremos. (versão Popular) Adis Abeba: UA.

Dale, R. (2004). Globalização e educação: demonstrando a existência de uma cultura educacional mundial comum ou localizando uma agenda globalmente estruturada para a educação? Educação & Sociedade, 25(87), 423-460. DOI: https://dx.doi.org/10.1590/S0101-73302004000200007.

Delors, J., et al. (1998). Educação: Um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Brasília: Unesco.

Diogo, M. J. (2018). Currículo e Internacionalização: o contexto do Ensino Superior angolano e a Agenda da educação da Unesco 2030. Dissertação de mestrado em Ciências da Educação, área de especialização em Desenvolvimento Curricular e Inovação Educativa. Braga: Universidade do Minho.

Domínguez, J. (2015). Pensamiento histórico y evaluación de competências. Barcelona: Editorial Graó.

Emanuel, V.G., Barca, I., & Costa, N. (2020). A Educação Histórica no Ensino Primário em Angola numa perspetiva glocal: um estudo centrado no Programa da 5.ª classe. Revista Indagatio Didáctica, 12(15), 155-176. DOI: https://doi.org/10.34624/id.v12i5.23454.

Gago, M. (2016). Consciência Histórica e narrativa no ensino da História: Lições da História…? Ideias de professores e alunos de Portugal. Revista História Hoje, 5(9), 76-93. DOI: https://doi.org/10.20949/rhhj.v5i9.239.

Germinari, G. D. & Barbosa, M. R. (2014). Educação histórica e consciência histórica: fundamentos e pesquisa. Cadernos de pesquisa: pensamento educacional, 9, (21), 21-32.

INIDE – MED. (2019a). Revisão Curricular: Resultados do Inquérito Nacional sobre a Adequação Curricular (INACUA) em Angola – 2018-2025. Luanda: Mensagem Editora.

INIDE-MED (2019b). Plano curricular do pré-escolar e ensino primário. Luanda: Editora moderna.

INIDE-MED (2019c). Programas da 5.ª classe – ensino primário. Luanda: Editora Moderna.

INIDE-MED (2019d). Programas da 6.ª classe – ensino primário. Luanda: Editora Moderna.

Julião, A. L. (2019). Autonomia curricular do professor em Angola: limites, desafios e possibilidades. Revista Contemporânea de Educação, 14(29), 309-327. DOI: https://doi.org/10.20500/rce.v14i29.22155.

Krathwohl, D. R. (2002). A revision of Bloom’s taxonomy: an overview. Theory into practice, 4 (4), 212-218.

Lagarto, M. de J. S. (2016). Desenvolver e avaliar competências em História: um estudo com professores do 3.º Ciclo do Ensino Básico. Tese de Doutoramento. Braga: Universidade do Minho.

Lee, P. (2001). Progressão da compreensão dos alunos em História. In I. Barca (Org.), Perspectivas em Educação Histórica. Actas das Primeiras Jornadas Internacionais de Educação Histórica (pp. 13-41). Braga: CIED, Universidade do Minho.

Lee, P. (2005). Putting principles into practice: understanding history. In How students learn: History, Mathematics and Science in the classroom (pp. 31-78). Washington, DC: The National Academies Press.http://www.lanecc.edu/sites/default/files/lc/howstuslearncompletestitchedrev.pdf.

Lee, P. (2006). Em direção a um conceito de literacia histórica. Educar em Revista, (esp), 01-14. DOI: https:// dx.doi.org/10.1590/0104-4060.403.

Lee, P., & Shemilt, D. (2003). A scaffold, not a cage: progression and progression models in history. Teaching History, 113, 13-23. https://pt.scribd.com/document/238794367/Lee-y-Shemilt-A-scaffold-not-a-cage.

Luís, S. M. & Black, C. (2019). O Perfil do Formador do Professor Primário e o Desafio do Programa Educar Angola 2030 – uma reflexão. Revista transverso, 15, 387-399. DOI:10.12957/transversos.2019.41862.

Oliveira, M. J. S., Silva, M. & Santos, A. (2019). O ensino primário público em Angola: Requisitos mínimos para uma educação de qualidade. Revista Desenvolvimento e Sociedade, 6, 53-70.

Pardal, L., & Lopes, E. S. (2011). Métodos e técnicas de investigação social. Porto: Areal editores.

Schmidt, M. A. & Urban, A. C. (2018). Afinal, o que é Educação Histórica. RIBEH, (1)1, 7-31.

UNESCO (2016). Educação para a Cidadania Global: Tópicos e Objetivos de Aprendizagem. Brasília: UNESCO.

UNITED NATIONS/UN (2015). Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development. Resolution adopted by the General Assembly on 25 September 2015. New York. Disponível em: <http://www. un.org/ga/ search/view_doc.asp?symbol=A/RES/70/1&Lang=E>. Acesso em: 07 dez. 2018.

Publicado
2021-05-28
Como Citar
Emanuel, V., Barca, I., & Costa, N. (2021). A Educação Histórica no Ensino Primário angolano: uma análise centrada no programa da 6.ª classe. RAC: Revista Angolana De Ciências, 3(1), 133-156. https://doi.org/10.54580/R0301.08
Secção
Artigos